terça-feira, 28 de maio de 2013

DÓI MAIS QUE TAPA (continuação)

  • TÃO TEIMOSO QUANTO O PAI!

Pai e mãe são modelos a serem seguidos. Por isso, é sempre bom destacar as qualidades de cada um deles, não os seus defeitos. Mas o ideal mesmo é evitar comparações. A criança pode se sentir presa a um modelo, o que impede o desenvolvimento de sua própria personalidade.

  • SEU PAI NÃO PRESTA! ELE NEM VEIO TE VISITAR!

Usar o filho para descarregar a raiva contra um ex-companheiro do que se pensa. Isso não quer dizer que o casal precise fingir que ainda se ama, pois os filhos são suficientemente espertos para perceber que não existe mais amor entre os pais. Mas eles precisam saber que continuam a ser amados da mesma forma pelos dois. Do contrário, pode até desenvolver a fantasia de que são culpados pela separação.

  • DE QUEM VOCÊ GOSTA MAIS: DO PAPAI OU DA MAMÃE?

Perguntas desse tipo tem o único objetivo de massagear o ego do adulto e acabam gerando conflito para a qual a criança não está preparada. Entre os 3 e os 5 anos, os pequenos desenvolvem uma atração inconsciente pelo genitor do sexo oposto, o que é natural e importante para formação de sua identidade sexual e seu amadurecimento psíquico. Pode ocorrer também que, no momento da pergunta, eles tenham acabado de levar uma bronca do papai e, obviamente, estejam gostando muito mais da mamãe, ou vice-versa. Seja qual for a situação, qualquer resposta vai despertar um sentimento de culpa na criança.

  • OLHA QUE O PAPAI NOEL NÃO TRAZ PRESENTE!

Comprar o bom comportamento é, literalmente, um mal negócio. É por meio do exemplo recebido em casa que seu filho deve construir os valores morais e éticos, independentemente das vantagens materiais que possa obter delas.

  • SUA (SEU) IRMÃ (O) VAI TÃO BEM NA ESCOLA E VOCÊ NÃO!

Nada mais inadequado do que comparar qualquer desempenho ou atitude de seu filho com o (a) de um (a) irmã(o). Claro que ele ficará enciumado, perceberá o irmão como um rival e não melhorará a sua performance nos estudos a partir disso. Ao contrário, provavelmente vai sentir-se inseguro e pouco estimulado. E, de quebra, ainda pode resolver marcar a diferença piorando o seu desempenho. Lembre-se: nenhuma criança é igual à outra, mas todas podem ser incentivadas a desenvolver seu próprio potencial.

  • NÃO SEI E NÃO ME AMOLA!

Muitos pais temem passar uma imagem de fragilidade para a criança e disparam logo uma frase agressiva para não reconhecer sua ignorância em determinados assuntos. Seja honesto. Você pode dizer que não sabe, mas, assim que tiver tempo, vai pesquisar. Ou, melhor ainda, chamar seu filho pesquisarem juntos.

  • VOCÊ É CRIANÇA, NÃO ENTENDE DISSO!

Pode até ser que o assunto em discussão não devesse ser comentado com as crianças. Nesse caso, elas nem deveriam estar presentes na conversa. Mas, se isso ocorreu, procure esclarecer suas dúvidas da melhor maneira que puder.


  Esses tipos de frases e comportamentos dos pais são em geral decorrentes de dificuldades psicológicas deles próprios em exercer tais papéis, e acabam comprometendo a auto-aceitação e provocando sofrimento emocional aos filhos. Como consequência, comprometem o lado emocional da criança e prejudicam seu desenvolvimento.
  Infelizmente, esta é a forma menos divulgada de violência doméstica e de difícil caracterização, porque não deixa marcas visíveis de comprovação imediata, mas se torna o modo mais comum de dominação dos pais sobre os filhos, porque esbarra na questão do processo de educação familiar, nas normas internas, no caráter disciplinado e do poder das leis e dos costumes herdados socialmente, que partes do pressuposto de que os pais são livres e autônomos para educar seus filhos conforme suas crenças, convicções, valores e estilos de vida.
  A criança ou adolescente, por  sua vez, acredita que é merecedor dessa agressão e sente-se culpado pelos sentimentos de raiva, agravados pelo conflito amor-ódio que sente em relação aos pais, vistos como fontes de proteção e autoridade e, ao mesmo tempo, de humilhação. Quando a auto-imagem da criança fica prejudicada e esta se mostra passiva, afirmando que é merecedora de tal agressão a trata assim porque "quer o seu bem", a vitimização psicológica completou o seu ciclo e estabelecida, ficando mais difícil intervenção no sentido de resgatar-lhe a dignidade. Mas é sempre possível intervir, por meio de uma analise do contexto familiar e do acompanhamento psicológico à criança e aos pais, a fim de de que se estabeleçam o dialogo e o afeto.

Viviane Manhães


domingo, 17 de fevereiro de 2013

DÓI MAIS QUE TAPA


Encontrei este texto abordando um assunto importante na relação pais e filhos e irei compartilhar com vcs que são pais (educadores), para facilitar e ajudá-los na educação dos filhos.



DÓI MAIS QUE TAPA
Leonardo Demontier e Denise Maria Perissini da Silva

Muitos se escandalizam diante das estatísticas de violência doméstica, sem se dar conta de que a agressão verbal é outra forma de ataque.

Ameaças, chantagens, comparações, mentiras e humilhações. Há coisas que nunca devem ser ditas a uma criança. Palmada dói, beliscão também, puxão de orelha é horrível, e surra, então nem se diga. Mas o que poucas pessoas se dão conta é de que palavras também machucam. Podem doer, humilhar, provocar medos e causar muitos danos. Ninguém sai ileso de agressões verbais sarcásticas, chantagens, comparações e ameaças, principalmente quando elas vem de pessoas queridas, nas quais depositamos confiança. Travestidas de desabafos, essas frases tem o poder de abalar o amor próprio, a coragem e a iniciativa de qualquer um e, quando se trata de uma criança, podem causar estragos irreversíveis para auto-estima dela. A armadilha é que são ditas pelos pais em momentos de tensão e/ou de despreparo emocional, e seu sentido destrutivo passa facilmente despercebido. Então, o melhor é ficar atento e morder a língua antes de dizer à criança alguns desses impulsivos ataques verbais.

  • COMO VOCÊ É LERDO
Se você falar a uma criança que ela é lerda, boba, esteja certo de que “vestirá a camisa”, ou seja, corresponderá ao rótulo que lhe está sendo atribuído. Faça o contrário: enalteça suas qualidades. Para a criança, a palavra dos pais é lei.

  • BEM FEITO!
Falei que você ia se machucar...
Tudo bem, a criança errou e já está pagando um preço por isso: sente dor. Assim, não precisa ouvir uma bronca tão maldosa. A experiência mal-sucedida deve servi-lhe de lição para o futuro. Por isso, primeiro acolha a criança e cuide do seu machucado. Transforme o fato numa experiência construtiva e não imobilizadora. Afinal, é errando que se aprende.

  • ESPERA SÓ O SEU PAI CHEGAR
Essa frase é um verdadeiro atestado de fragilidade. A mão que diz isso não pode se queixar de que os filhos não a respeitam. Com frases assim, alem de perder a própria autoridade, a mulher transforma o marido em um algoz, a quem os filhos devem temer.

  • MAMÃE VOLTA RAPIDINHO
Usar esse tipo de artifício para amenizar a culpa de sair e não ver o filho chorar aumenta a ansiedade da criança. Ele percebe a insegurança da mãe e sente extremamente fragilizado, com medo de ser abandonado de fato. O melhor é relacionar o seu retorno a algo que ele entenda claramente: “Mamãe volta na hora do jantar”, por exemplo.

  • A VACINA NÃO VAI DOER NADA
Nada pior do que negar a realidade. O que os pais precisam dizer é que a vacina pode doer um pouco sim, mas evita doenças perigosas. Se a criança for bem informada do que está acontecendo a ela, vai se sentir segura e mais calma para enfrentar uma dor ou um desconforto.

  • SE NÃO SE AGASALHAR, VAI TOMAR INJEÇÃO!
Ameaças em geral são verdadeiro desastre em matéria de educação.

  • NÃO VÁ LÁ, TEM BICHO-PAPÃO!
Incutir o medo é forma que muitos pais encontram para manter os filhos grudados aos seus pés. Revê, na realidade, o medo que eles próprios sentem de ver as crianças crescendo e se tornando independentes. O resultado é previsível: filhos medrosos, inseguros e as vezes preconceituosos, pois alem do bicho papão, frases desse gênero costumam eleger a figura do mendigo ou do “homem do saco” como vilões.

  • VOCÊ NÃO FAZ NADA DIREITO!
Ou será que foram os pais que não ensinaram da maneira correta? Ao ouvir uma frase desse tipo, é obvio que a criança se sente incapaz. Mas os erros dela podem ser resultado da incapacidade do adulto de se comunicar numa linguagem acessível. Além disso, cada criança tem um ritmo para aprender, e sua capacidade jamais deve ser subestimada.

  • NÃO FEZ MAIS QUE A OBRIGAÇÃO!
Essa é uma frase perfeita para transformar uma grande conquista da criança numa triste decepção. Diante do próximo desafio, é mis do que certo que ela não tenha o menor desejo de se esforçar.

  • DEPOIS EU LEVO VOCÊ!
Nunca prometa algo que nunca possa cumprir. Para a criança, a palavra dos pais é lei. E se você de fato tem a intenção de levá-lo ao lugar prometido um dia, especifique a data. Adultos estão acostumados a lidar com tempo relativo, crianças não. Ou seja, para elas, o “depois” pode ser minuto seguinte e elas se frustrarão se não acontecer o que os pais prometeram. Promessas não cumpridas representam um duro golpe na relação de confiança entre pais e filhos.


DEPOIS SERÁ  ABORDADO ESSES TÓPICOS ABAIXO:

  • TÃO TEIMOSO QUANTO AO PAI!
  • SEU PAI  NÃO PRESTA! ELE NEM VEIO TE VISITAR!
  • DE QUEM VOCÊ GOSTA MAIS: DO PAPAI OU DA MAMÃE?
  • OLHA QUE O PAPAI NOEL NÃO TRAZ PRESENTE!
  • SUA (SEU) IRMÃ(O) VAI TÃO BEM NA ESCOLA E VOCÊ NÃO!
  • NÃO SEI E NÃO ME AMOLA!
  • VOCÊ É CRIANÇA, NÃO ENTENDE DISSO!

Revista viver psicologia – junho 2003.

Viviane Manhães
Beijinhos!!!